Com mortes de macacos por febre amarela no Norte de MG, municípios devem reforçar vacinação
09/05/2026
(Foto: Reprodução) Aedes aegypti é o transmissor da chikungunya, dengue, Zika e febre amarela
Freepik
Com mortes de macacos em decorrência de febre amarela no Norte de Minas Gerais, o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs) Regional de Montes Claros está orientando os municípios sobre a condução de casos suspeitos e também sobre a necessidade de reforço da vacinação.
De acordo com a Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Montes Claros, as mortes registradas neste ano ocorreram em Pirapora, Buritizeiro, Urucuia, Glaucilândia, São João do Pacuí e Coração de Jesus, sendo que duas tiveram resultado positivo para febre amarela. Uma videoconferência foi realizada com mais de 100 profissionais de saúde.
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A coordenadora de vigilância em saúde e do Cievs Regional de Montes Claros, Agna Menezes, diz que as orientações têm como objetivo “sensibilizar os profissionais sobre um potencial problema de saúde que pode ocorrer na região”.
O médico Mariano Fagundes Neto, integrante da equipe técnica do Cievs Regional de Montes Claros, ressalta que a confirmação de febre amarela em macacos encontrados mortos acende um alerta sobre a circulação do vírus da doença na região.
"Por isso, as ações de vigilância em saúde precisam ser reforçadas, incluindo trabalhos de campo e, também, a capacitação dos profissionais de saúde que atuam nos serviços de atenção primária e especializada. Os macacos são o radar contra a doença. A ocorrência de epizootias sinaliza a possibilidade de ocorrência de surtos de febre amarela em humanos, com prazo de antecedência de até cinco meses.”
👉 Os macacos não transmitem a doença. A febre amarela é transmitida pela picada de mosquitos infectados. A doença não é contagiosa, ou seja, não é passada de pessoa para pessoa.
De acordo com a SRS, por conta dos macacos que tiveram resultado positivo para a doença ou por estarem em região limítrofe com áreas de circulação viral, 18 cidades do Norte de Minas Gerais estão classificadas na categoria 2 quanto à necessidade de reforço de medidas contra a febre amarela: Capitão Enéas, Coração de Jesus, Engenheiro Navarro, Espinosa, Francisco Sá, Indaiabira, Jaíba, Janaúba, Jequitaí, Mamonas, Matias Cardoso, Monte Azul, Montes Claros, Porteirinha, Rio Pardo de Minas, Salinas, São João do Pacuí e Verdelândia.
No Nível 1, os municípios não têm notificação de epizootias. Já no Nível 3, há municípios com casos notificados de febre amarela em humanos. Esse nível é considerado de alerta.
Vacinação
A superintendente regional de Saúde da SRS Montes Claros, Dhyeime Marques, destaca que “a vacinação continua sendo a principal forma de prevenção e proteção contra a doença”. Por isso, a população deve manter o cartão vacinal atualizado.
“A circulação do vírus da febre amarela no Norte de Minas acende um alerta importante para toda a nossa região. Diante das epizootias confirmadas, a Superintendência Regional de Saúde de Montes Claros, por meio do Cievs Regional, está reforçando junto aos municípios as ações de vigilância e, principalmente, de vacinação da população.”
“No conjunto das 54 localidades jurisdicionadas à Superintendência, a cobertura vacinal está em 83,04% entre crianças e adultos de nove meses a 59 anos de idade. Já o percentual de cobertura vacinal preconizado pelo Ministério da Saúde é de 95%”, observa a referência técnica em imunização na SRS de Montes Claros, Mônica de Lourdes Rochido.
Sobre a aplicação das doses, a SRS alerta que:
A primeira dose deve ser aplicada aos nove meses de idade
A segunda dose deve ser administrada aos quatro anos
Pessoas com idade a partir de cinco anos que nunca foram vacinadas contra a febre amarela ou não possuem comprovante de vacinação devem tomar uma dose
A pessoa que recebeu uma dose da vacina antes de completar cinco anos de idade deve tomar uma dose de reforço, independentemente da faixa etária
Já pessoas com alergia grave a ovo, imunossuprimidos graves, gestantes e idosos não devem tomar a vacina contra a febre amarela
Sobre a doença
Em áreas florestais, o vetor da febre amarela é principalmente o mosquito Haemagogus.
No meio urbano, a transmissão se dá através do mosquito Aedes aegypti, que é o mesmo da dengue.
Os sintomas iniciais da febre amarela são:
Início súbito de febre;
Calafrios;
Dor de cabeça intensa;
Dores nas costas;
Dores no corpo em geral;
Náuseas e vômitos;
Fadiga;
Fraqueza.
“A doença em si é extremamente letal. Por isso, é importante que os profissionais de saúde estejam sempre alertas em relação a pacientes que apresentem suspeita clínica da doença. O diagnóstico precoce é importante, incluindo a verificação do histórico recente de viagens dos pacientes e da caderneta de vacinação. Após o período de incubação da doença, que varia entre três e seis dias, o quadro de saúde pode evoluir rapidamente para situações de gravidade e ocasionar óbitos em até 14 dias”, pontuou a médica infectologista Izabela Santos Bretas, também referência técnica do Cievs Regional.
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